EU, NO TOPO DO MUNDO

Foi assim que me senti ao chegar no cume da Pedra do Forno em Gonçalves, MG. Há muito tempo que realmente não descarregava as energias. Olhar aquele imenso horizonte ziguezagueado por serras, rios, céu e o nada, me fez sentir livre outra vez.
Sem aquela adrenalina urbana, que dispara meu coração a cada possível ameaça. Uma adrenalina boa, de quem caminha, escala, ultrapassa as barreiras da natureza para comungar junto a ela.
Tempo pra namorar, tempo pra descansar, tempo para relaxar dentro do spa admirando a vista da serra...
Ah... quando saio de São Paulo vejo como ela está me corroendo. Como ela me faz mal. Como ela me rouba a vida. Por mais que eu tente e queira fazer algo pela minha cidade, a única coisa que me vem a cabeça é fugir.
Ir para um lugar onde haja mais educação e respeito! "Ah, você não vai aguentar tanta tranqüilidade!" Será?, me pergunto. E eu desfruto dessa agitação de São Paulo? Estou ficando paranóica, isso sim.
A cada congestionamento, cada farol quebrado, cada fila de supermercado, cada mega projetos que surge na vida de uma profissional liberal, cada minuto com a telemoça que interrompe a minha concentração no meio do expediente... os batimentos cardíacos aceleram, a respiração, ôfega. Entro em estado de choque, uma mistura de ansiedade e medo profundos.
O Sul de Minas me pareceu muito organizado. A cidade, parte de um roteiro chamado Serras Verdes, é totalmente focada em turismo.
O espírito hospedeiro paira no ar, aliás, considerado o melhor do Brasil. A arte de bem receber faz parte da profissão de cada cidadão Gonçalvense.
O clima subtropical, por incrível que pareça, inspira grandes negócios. Projetos estratégicos são discutidos na mesa ao lado, à beira rio.
Para uma paulista, foi de dar inveja ver como os mineiros são estruturados economicamente, e ali em especial, em torno da vocação turística, viu? Enquanto brasileira, Gonçalves é de dar orgulho. Sustentável, o munícipio procura preservar o patrimônio natural, que é muito rico, com hortas orgânicas e reciclagem de lixo. Dá até pra pensar em recolher os meus impostos em outro Estado, porquê não? Afinal, o que buscamos é uma vida digna, não importa onde, não é mesmo?
Escrito por siu às 09h18
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